Este lugar escondido em Samui parece um paraíso.

Koh Samui ao entardecer tem o poder de suavizar as arestas. O calor diminui, o mar respira um sal mais fresco e um ritmo mais tranquilo toma conta. Há cantos famosos da ilha — a agitação de Chaweng, a vida noturna de Lamai — e há lugares menores e mais tranquilos que surgem como um velho amigo. Este texto é sobre um desses cantos mais tranquilos: um trecho de costa escondido e a vida pacata da vila que o faz parecer um paraíso.

Encontrando a tranquilidade: uma praia menos conhecida

Há uma pequena praia onde as manhãs começam com o som das redes de pesca e as noites terminam com uma luz alaranjada suave. A areia é fina, a água cristalina, e você pode observar os peixinhos-de-cauda-longa passando como se não tivessem pressa para ir a lugar nenhum. Não se trata de falésias imponentes ou grandes resorts, mas de escala: palmeiras baixas, algumas cadeiras de praia e espaço suficiente para respirar.

  • Dica: Visite de manhã cedo para desfrutar de águas calmas e do ambiente do mercado local, ou chegue no final da tarde para aproveitar a luz mais amena e menos gente.
  • Como chegar: Você pode pesquisar no Google Maps digitando “Praia Mae Nam” ou “Praia Bophut” para explorar trechos mais tranquilos nas proximidades. Se preferir explorar de scooter, vá devagar — a ilha recompensa trajetos sem pressa.

Um passeio pela vida na aldeia.

Atrás da praia, há uma vila com um ritmo próprio, ditado por templos, cafés e restaurantes familiares. Você ouvirá o tilintar de pratos, o ronco de uma caminhonete e, ocasionalmente, o riso de crianças correndo atrás de um cachorro. As lojas aqui priorizam produtos locais; os cafés costumam servir café com leite condensado, e a comida é descomplicada e excelente.

  • Recomendações locais:
  • Visite a Rua Pedonal da Vila dos Pescadores em Bophut à noite para apreciar as barracas e a comida de rua, mas tenha paciência — pode ficar bastante movimentada nas noites de mercado.
  • Para um café tranquilo, procure pequenos cafés a algumas ruas do litoral, onde os moradores locais se reúnem.

Uma breve nota histórica: a pesca e o cultivo de coco moldaram essas comunidades. Você ainda verá essa herança no cotidiano — das redes secando ao sol às palmeiras que sombreiam os pequenos terrenos.

Onde comer como um local

As melhores refeições aqui são aquelas que chegam com um sorriso e sem complicações. Os frutos do mar são naturalmente frescos; os caril são cremosos e aromáticos; o som tam (salada de papaia) vai te surpreender e recompensar na mesma mordida. Sente-se numa mesa perto da rua e observe a vida passar; a comida tem um sabor melhor assim.

  • Experimente fazer o pedido:
  • Peixe grelhado com limão e pimenta, preparado na brasa.
  • Curry Massaman para algo suave e picante.
  • Os smoothies de frutas frescas — manga, abacaxi e coco — são excelentes.

Uma dica prática: se você for sensível a pimenta, peça "mai pet" (sem pimenta). Além disso, confira o cardápio para ver se há pratos especiais da estação ou com o peixe do dia; essas opções costumam ter o melhor custo-benefício.

Pequenos templos e cerimônias silenciosas

Espalhados pela região, encontram-se diversos templos modestos onde monges entoam cânticos e devotos fazem oferendas. Esses locais não costumam ser pontos turísticos barulhentos; são espaços para reflexão, rituais e encontros comunitários.

  • Comportamento respeitoso:
  • Retire os sapatos antes de entrar na área do santuário.
  • Vista-se com modéstia — ombros e joelhos cobertos são apreciados.
  • Peça permissão antes de fotografar pessoas rezando.

Você pode pesquisar por “Wat Phra Yai (Grande Buda)” se tiver curiosidade sobre um local maior e mais visitado, mas para momentos tranquilos em um templo, prefira os templos menores e locais que ficam afastados das estradas principais.

Como se locomover e onde ficar

A melhor maneira de explorar Koh Samui é combinando caminhadas tranquilas com passeios curtos de scooter. As estradas são íngremes em alguns trechos e podem ser estreitas, portanto, tenha cuidado após o pôr do sol, quando a visibilidade diminui.

  • Dicas de transporte:
  • Alugue uma scooter em uma loja de boa reputação e verifique as condições do capacete.
  • Use táxis com taxímetro ou songthaews (caminhões compartilhados) para curtas distâncias, caso prefira não dirigir.
  • Guarde fotocópias do seu passaporte e da documentação de aluguel para o caso de surgirem dúvidas.

Para hospedagem, procure pousadas familiares ou pequenos bangalôs charmosos em vez de grandes redes de resorts, se você busca um ambiente mais intimista. Esses lugares costumam ter anfitriões que conhecem histórias locais e podem indicar lugares tranquilos que não constam nos guias de viagem.

Algumas observações respeitosas

Esta ilha vive graças às suas pessoas e ao seu meio ambiente. Pequenos gestos fazem a diferença: leve o seu lixo consigo, evite plásticos descartáveis sempre que possível e apoie os vendedores locais quando puder. Lembre-se que a maré e o clima afetam as condições para nadar — pergunte a um morador sobre as correntes antes de entrar no mar.

Um breve parêntese histórico: a vida turística moderna de Koh Samui floresceu no final do século XX, mas suas raízes são mais antigas — na pesca, no arroz e no coco. Essa história se reflete nos gostos simples e na hospitalidade paciente.

Rituais noturnos e o convite para permanecer.

Ao entardecer, o lugar se suaviza. As luzes se acendem. Um café pode colocar algumas velas. As pessoas se dirigem aos churrascos de frutos do mar, e o mar brilha em seu próprio ritmo. Fique à beira da água por um tempo e observe como o céu se organiza — primeiro limpo, depois um degradê, depois estrelas, simples como uma pausa bem pensada.

Se for, vá com calma. Caminhe em vez de correr. Converse com alguém que more aqui. Compre um lanche em uma barraquinha. Reserve um tempo para sentar e observar a mudança da luz. O paraíso, neste canto de Koh Samui, é menos um cartão-postal e mais uma série de pequenos e generosos momentos que se somam.

Você pode encontrá-lo no Google Maps digitando: “Praia de Mae Nam”, “Vila de pescadores de Bophut” ou “Wat Phra Yai (Grande Buda)”.

Edivaldo Castro Neves

Edivaldo Castro Neves

Curador Sênior de Cultura e Viagens

Edivaldo Castro Neves é um experiente curador de viagens com mais de 35 anos de experiência, combinando antropologia cultural, exploração culinária e turismo sustentável. Nascido em uma família de navegadores e pequenos produtores de café, ele desenvolveu desde cedo uma apreciação pelas tradições locais e pelas narrativas que moldam os lugares. Nas últimas duas décadas, especializou-se em culturas insulares do Sudeste Asiático, com foco em narrativas imersivas e experiências lideradas pela comunidade. Na Samui Love, ele cria roteiros que destacam encontros autênticos com artesãos locais, locais espirituais e praias fora dos roteiros turísticos tradicionais, além de oferecer consultoria sobre práticas éticas para visitantes e parcerias com pequenos negócios. Seus colegas o descrevem como ponderado e discretamente persuasivo — um planejador meticuloso que primeiro ouve, faz perguntas pertinentes e defende o turismo slow. Ele traz um olhar apurado para os detalhes, uma sólida rede de contatos regionais e um compromisso com a preservação da integridade cultural, tornando Koh Samui acessível e significativa para viajantes curiosos.

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